Exercício físico e a saúde da mulher
01.
Para começar, porque é que o exercício físico deve ser encarado como um pilar essencial na saúde da mulher?
O exercício físico é, na realidade, um dos pilares mais importantes para a saúde da mulher, em qualquer idade.
Protege o coração, ajudando a controlar a tensão arterial, o colesterol e o açúcar no sangue, e reduz o risco de enfarte ou AVC, o que se torna especialmente relevante após a menopausa. Também fortalece os ossos, prevenindo a osteoporose, e ajuda a controlar o peso e a gordura abdominal, protegendo contra doenças como a diabetes e a obesidade.
O corpo da mulher passa por alterações hormonais ao longo do mês e de toda a vida, e o exercício ajuda a equilibrar as hormonas. Durante a menopausa, contribui para reduzir os afrontamentos, estabilizar o humor, manter a força e a vitalidade.
O exercício diminui ainda o risco de vários tipos de cancro, como o da mama, e em sobreviventes de cancro melhora a adesão ao tratamento, a qualidade de vida e a longevidade.
Além do corpo, o exercício também cuida da mente. Melhora o humor, reduz a ansiedade, ajuda a prevenir a depressão, a dormir melhor e dá mais energia para o dia a dia.
Em resumo, mexer o corpo regularmente é uma das formas mais simples e eficazes de cuidar de si própria, sentir-se bem e envelhecer com qualidade de vida.
02.
A saúde da mulher muda muito ao longo da vida. O exercício deve adaptar-se a cada fase?
Sem dúvida! O nosso corpo precisa de estímulos diferentes em cada fase:
- Na adolescência o foco deve ser fortalecer a massa muscular, melhorar a resistência e desenvolver ossos fortes para o futuro. Saltar, correr e praticar desporto são ótimos para isto.
- Na gravidez e pós-parto, o objetivo é manter a saúde da mãe e do bebé, ajudando a controlar o peso e a prevenir problemas como a diabetes gestacional. É também uma fase importante para o fortalecimento da musculatura central do tronco e do pavimento pélvico (os músculos que suportam a bexiga e o útero).
- Na menopausa e pós-menopausa, com a descida dos estrogénios, há perda de massa muscular e os ossos ficam mais frágeis. Nesta fase, para além do exercício aeróbio, o treino de força (utilizando o peso do próprio corpo, bandas elásticas, halteres, ou outros equipamentos) deixa de ser opcional e passa a ser mandatório para manter a autonomia e evitar a osteoporose.
03.
O exercício também tem impacto na saúde mental da mulher?
Sim, pode ter um impacto muito considerável na saúde mental. As mulheres, muitas vezes devido à sobrecarga de tarefas e ao facto de acumularem vários papéis (profissionais, mães, cuidadoras), sofrem mais de ansiedade e depressão. Ao fazer exercício físico regularmente, o cérebro liberta substâncias (neurotransmissores como endorfinas, serotonina) que funcionam como antidepressivos naturais. Os benefícios do exercício na saúde mental refletem-se também em melhorias no humor, na gestão do stress, redução da ansiedade e aumento da resiliência emocional, promovendo a qualidade do sono.
04.
Em que situações é importante procurar aconselhamento profissional antes de iniciar a prática de exercício físico?
A prática de exercício físico é segura e recomendada para a maioria das pessoas, mas há situações em que é importante procurar aconselhamento profissional antes de começar para garantir que é realizado de forma efetiva e segura.
A aprovação médica previamente ao início do exercício é recomendada quando a pessoa não é praticante de exercício físico, isto é, não faz exercício físico com intensidade moderada, pelo menos 30 minutos, 3 ou mais dias por semana, nos últimos 3 meses, e possui diagnóstico ou sintomas de doença cardiovascular (p.e., hipertensão arterial, insuficiência cardíaca), metabólica (p.e., diabetes tipo 1 e tipo 2, obesidade), renal ou outra doença crónica.
Ter a orientação de um fisiologista do exercício é sempre uma mais-valia e é particularmente recomendado, também, nas condições já referidas. Este profissional avalia a aptidão física, prescreve exercício, acompanha a resposta ao esforço e ajusta o plano de exercício com base no conhecimento científico mais atual, para otimizar resultados, prevenir lesões e promover melhorias reais na saúde e no bem‑estar das pessoas com quem trabalha.
05.
É possível iniciar a prática de exercício físico mais tarde na vida e, ainda assim, obter benefícios para a saúde?
Sem dúvida. Nunca é tarde para começar! O corpo humano mantém uma capacidade notável de adaptação ao longo de toda a vida, respondendo à prática de exercício físico em qualquer idade.
Mesmo mulheres que não praticaram exercício físico durante muitos anos podem obter ganhos significativos ao adotar este hábito. Por exemplo, se começar a ser fisicamente ativa na meia-idade ou mesmo após os 60 anos, pode reduzir o risco de doença cardiovascular, de obesidade, melhorar o controlo da tensão arterial e da glicemia, aumentar a força muscular e melhorar o equilíbrio.
Além disso, o exercício ajuda a preservar a massa muscular, que tende a diminuir com o avançar da idade, reduz o risco de quedas e fraturas, e melhora a autonomia nas atividades do dia a dia, permitindo que a mulher continue a ser capaz de ir às compras, brincar com os netos, subir escadas, entre outras atividades, durante muito mais tempo.
Ao nível cognitivo, a prática de exercício físico aumenta o fluxo sanguíneo cerebral e estimula mecanismos que ajudam o cérebro a manter-se ativo e funcional, com melhorias na capacidade de memória, de atenção e menor risco de declínio cognitivo. Os sintomas depressivos, de ansiedade e de dificuldade em dormir, comuns nesta fase da vida, são também impactados positivamente pelos hábitos de exercício.
Outros benefícios relevantes a considerar são o aumento da interação social e a redução do isolamento sentido por mulheres mais velhas, para os quais a prática de exercício contribui fortalecendo laços, a autoestima e o bem‑estar emocional.
Tudo isto assume ainda maior importância pelo facto da esperança média de vida ser maior nas mulheres, o que faz com que a prática de exercício contribua para uma maior qualidade de vida durante mais tempo.
06.
Para terminar, qual a principal mensagem que gostaria de deixar sobre o exercício físico e a saúde da mulher?
O exercício físico é uma forma essencial de cuidarem de vós e não tem idade de validade. Durante décadas, as mulheres têm colocado a família e o trabalho à frente da sua própria saúde. Reservem esse tempo para vocês! Treinar não é um luxo nem uma questão de estética: é um cuidado básico de saúde. Incluam o exercício na vossa agenda e na vossa rotina de vida. Invistam na vossa saúde!
